20 novembro, 2006

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo,e me tome nos braços sem fazer perguntas de mais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não se vá embora batendo a porta,mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele enão se irrite com a minha solicitude,se ela for excessiva saiba dizer-me isso com delicadeza ou bom humor.Que o outro preceba a minha fragilidade e não se ria de mim,nem se aproveite disso.
Que se eu fizer um disparate o outro goste um pouco mais de mim,porque tambempreciso de poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa ,oudoente,ou agressiva,nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a dieta da perda ,e ouse ficar cimigo um pouco _em lugar de voltar logo à sua vida,não porque lá esta a sua verdade mas talvez o seu medo ou a sua culpa.
Que se começar a chorar sem motivo depois de um dia daqueles,o outro não desconfie logo que é culpa dele,ou que já não o amo.
Que se estiver numa fasedifícil o outro seja meu cúmplice,mas sem fazer alarme nem dizendo :«olha que estou a ter muita paciência contigo!»
Que se me entusiasmar por alguma coisa o outro não a diminua,nem me chame ingénua,nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim,por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas,o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando me levanto de madrugada e ando pela casa ,o outro não venha logo atrás de mim reclamando:«mas que maçada essa tua mania,volta para a cama !»
Que se eu pedir um segundo aperitivo no restaurante o outro não comente logo :«livra mais um?»
Que se eu eventualmente perder a paciência perder a graça e perder a compostura,o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro -filho ,amigo,amante,marido-não me considere sempre disponível,sempre necessariamente compreensiva,mas me aceite quando não posso ser nada disso.
Que,finalmente,o outro entenda que mesmo se ás vezes me esforço,não sou,nem devo ser,a mulher-maravilha,mas apenas uma pessoa :vulnerável e forte,incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma MULHER.........

1 comentário:

Manuela disse...

Que mesmo quando parecer que perdi tudo, o outro se lembre que o que verdadeiramente importa não se perde nunca. Que vive e se perpetua mesmo quando já não estiver cá...

Boa Monga!