09 novembro, 2006

Nem sei que vos diga !

Ando aqui nos discos do computador a ver se encontro os poemas e os textos que escrevi no passado. Que coisa! Para que quero eu palavras velhas?

Quando se escreve o que se sente, não faz sentido guardar. O pó do tempo torna as palavras bolorentas.

Como dizia o outro, as palavras estão gastas, meu Amor… Adeus.


Faz de conta que não estou
Que não vim
Não moro aqui
De mim só tens a ausência
A mesma que tenho de ti
Que me faz rir por não estares
Quase sempre que não estás
Que me faz rir se ficares
Quando ficas, quando estás.
O riso da tua presença
Com a música que o embala
É igual à tua ausência com que enches esta casa
Que foi feita só para ti
Prenha da minha incerteza:
Se não estou?
Se moro aqui?
Para que de mim permaneça,
E para sempre, a minha ausência.
Do estar não tenhas certezas
Como certeza eu não tenho
De ficares para sempre assim.
As asas de que somos feitos
Construíram uma tal viagem
Feita de ausências perfeitas
De belas presenças furtivas
Livres a tempo inteiro.
Duma casa feita espaço
Escrevo-te por tu não estares
Para que quando chegares
Faças de conta que estou,
Mas que vim,
Não moro aqui.

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