06 dezembro, 2006

Olhares

Um olhar primeiro de confronto
Desafio inevitável ao contorno.
Um peso que de leve se assemelha
Ao som de uma guitarra feita sangue
Que percorre os caminhos destas veias.

Um passo mais adentro desse verde
Um peso mais de leve a insinuar
Que o olhar primeiro já morreu
Que o contorno apercebido é um castelo
De uma dama imaginada para amar.

A poesia nasce deitada pelo chão
Aberta por uma janela multicor
Num peito difícil de respirar.

No ar corre um vento fugidio
Obrigando a um olhar mais inocente
Como ele navegante doutro mar
De feitos heróicos já esquecidos.

Este desafio permanente
Desprotege-me as janelas
Destapa-me tanto o leito
Que sinto a vil tentação
De o aprisionar dentro do peito.

2 comentários:

Anónimo disse...

Nem Camões desdenharia estas estrofes, Manuela. Um grande RAUF para ti e bom FDS!

Manuela disse...

Ooops...
Vi o comentário na hora, mas não agradeci...

Ooops. Obrigada! Se bem que o Camões já esteja velho para estas coisas...